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O Catenaccio

O Catenaccio

Na ressaca da derrota do Rio Ave frente ao AC Milan nas grandes penalidades, após empate a dois golos no playoff de apuramento para a Liga Europa, eis que o clube de Vila do Conde merece um artigo de análise a este sucesso.

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Apesar da derrota, nada apaga o que os comandados de Mário Silva fizeram até aqui. Tudo começou com a vitória na Bósnia Herzegovina diante do FK Borac (0-2), depois a inesperada vitória (nos penáltis) na Turquia frente ao Besiktas e finalmente, o momento em que esteve tão perto do final romântico no Estádio dos Arcos.

Mas estes feitos não são frutos do acaso. O Rio Ave é o exemplo de como uma gestão financeira (e de recursos humanos), feita de forma gradual e cuidada, podem levar ao crescimento e ao sucesso desportivo. O Presidente, António Silva Campos, é a cara da coerência – palavra que melhor carateriza o passado recente do clube. Ponderado nas contratações e fora de loucuras, nem mesmo quando os encaixes com vendas o permitiriam.

A aposta num conjunto de treinadores de idêntica filosofia tática, acaba por ser o culminar da gestão desportiva. Nomes como Nuno Espírito Santo, Miguel Cardoso, Carlos Carvalhal e Mário Silva, todos técnicos que implementam um futebol “positivo”, de jogo atacante e que rentabilizam os atletas, tiveram o prazer de poder trabalhar nesta casa.

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Um facto que torna ainda mais impressionante este início de época do Rio Ave, foram as vendas de Mehdi Taremi (FC Porto) e Nuno Santos (Sporting CP) – que na época transata tinham sido as unidades em maior evidência no conjunto vila-condense.

É esta a génese da administração do clube. Comprar barato, e sobretudo jovens, para valorizar e vender “caro” para a realidade rioavista. O aproveitamento de jogadores dispensados pelos três grandes, também tem sido um ponto em questão. Francisco Geraldes, Gelson Dala, Nélson Monte, Nuno Santos, Filipe Augusto, Carlos Mané, Diego Lopes, André Pereira e Pedro Amaral são apenas alguns exemplos de sucesso. Já para não falar na aposta em atletas com experiência fora de portas, como Ivo Pinto e Aderllan Santos, e no scouting que permitiu descobrir Borevkovic e Jambor – internacionais pelas camadas jovens da Croácia.

Repito: o Rio Ave é um exemplo para clubes como o CD Aves e Vitória FC, na forma como gere os seus recursos, diga-se “escassos”, com boas prestações a nível interno e na Europa. Longe de investidores estrangeiros e de fontes duvidosas, é possível manter uma estabilidade ao longo dos anos. Estabilidade gera consistência, e a prova disso é o meio campo: Tarantini, Filipe Augusto e Diego Lopes, que jogam de olhos fechados.

Orgulho nos nossos. A competência está cá dentro. Embora não tenham conseguido garantir o acesso à Liga Europa, o Rio Ave está bem e recomenda-se!

 

Fonte das imagens: Rio Ave FC

Redigido por: Filipe Carvalho

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