Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O Catenaccio

O Catenaccio

Nesta rubrica iremos semanalmente abordar temas que nos inquietam, tentando entender as questões envolventes de cada problemática e ir em busca de uma solução viável, ou então simplesmente comentar algo surpreendente ou louvável. 

Com o regresso das competições europeias, o futebol ao mais alto nível no velho continente está de volta. O lado positivo é que há mais futebol para assistirmos, nomeadamente as duas competições que colocam frente a frente as melhores equipas da Europa, proporcionando um belo espetáculo desportivo. De outro ponto de vista, iremos ver o cansaço dos jogadores a acumular.

Troféu UCL.jpg

Pegando nessa perspetiva, existe o risco de uma perda de qualidade devido ao excesso de fadiga. Há que ter em conta que não serão só as competições europeias que irão jogar-se entre as partidas dos respetivos campeonatos. Também se jogarão as taças internas e as partidas entre seleções. Ou seja, os conjuntos que disputarem todas as competições irão entrar em campo dois ou três jogos por semana. E há que relembrar que a interrupção entre temporadas foi mais curta, não permitindo aos atletas descansar tanto tempo como habitualmente.

Comparando o congestionamento do calendário, peguemos nos campeões em título de Inglaterra e Portugal. A Premier League é considerada por muitos o campeonato mais competitivo da Europa, e também um dos melhores em termos de espetáculo futebolístico. Por outro lado, a Liga NOS tem poucas surpresas no que diz respeito à classificação no final na temporada, visto que FC Porto e SL Benfica têm dominado a liga portuguesa nos últimos 20 anos, com exceção de um título conquistado por Boavista FC e outro pelo Sporting CP.

O Liverpool, campeão em Terras de Sua Majestade, realizará ao todo sete partidas no presente mês, duas para a Liga dos Campeões. Parece pouco, mas há que ter em conta que houve paragem para encontros de seleções. Em novembro essa “pausa” também existirá, e os “Reds” apenas jogaram cinco partidas. Em dezembro disputarão oito jogos.

Liverpool.jpg

O FC Porto irá disputar seis encontros em outubro, quatro em novembro, e cinco em dezembro. Ou seja, até ao final do ano civil de 2020, o campeão nacional jogará menos 450 minutos (5 jogos) que o campeão inglês. Este número poderá aumentar, visto que não estão incluídas as taças nacionais, que decerto irá ditar mais partidas para a equipa britânica do que para a formação portuguesa, devido à formatação das competições internas em Inglaterra.

Todas estas competições, agregadas a duas paragens para compromissos internacionais, elevam a fadiga dos atletas. E no caso português, resulta numa diminuição de intensidade, visível principalmente nos embates frente a outros conjuntos europeus. Isso deve-se em grande parte à falta de competitividade na Liga NOS, em que fazer os mínimos basta às equipas “grandes” para conquistar os três pontos a cada jornada. Podemos observar esse facto quando olhamos para os números de equipas lusas na Liga dos Campeões e Liga Europa. Na presente temporada temos três símbolos portugueses nas competições europeias, o mesmo número (e os mesmos clubes) que disputou as meias finais da Liga Europa na época 2010/11.

A chave para superar este congestionamento será a preparação física e ter um plantel alargado, mas que permita atuar sempre com a mesma qualidade mesmo com rotação de jogadores. Para os “tubarões” do velho continente não será problema, visto que o número de soluções viáveis para cada posição é sempre vasto. Para os clubes com menos poderio financeiro, como em Portugal, será sempre complicado manter a intensidade e a qualidade dentro das quatro linhas.

 

Fonte da imagem: UEFA Champions League e Liverpool FC

Redigido por: Diogo Mimoso Ferreira