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O Catenaccio

O Catenaccio

Nesta rubrica iremos semanalmente abordar temas que nos inquietam, tentando entender as questões envolventes de cada problemática e ir em busca de uma solução viável.

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O desabafo desta semana faz uma espécie de coligação com o “Perfeito Desconhecido”, já que para muitos, o exemplo que trago aqui, ainda é um nome estranho. Samuel Costa, 19 anos, também conhecido por Samú, é um promissor médio defensivo/centro do Sporting Clube de Braga e foi apresentado na semana passada como jogador da UD Almería. A transferência em questão é um empréstimo com opção de compra de 5,75M, ficando os minhotos com 50% de mais valias numa futura transferência.

O Almería, orientado por José Gomes, é um dos principais candidatos a subir à Primeira Liga espanhola. Para além da equipa técnica lusa, conta no plantel com vários jogadores que atuaram no futebol português. Makaridze (ex-Vitória FC), Maras (ex-CD Chaves), Petrovic (ex-Sporting CP), Balliu (ex-FC Arouca) e Enzo Zidane (ex-CD Aves) são as restantes caras familiares aos mais atentos dos relvados nacionais. Outro objetivo do clube é garantir o empréstimo de Pedro Mendes, avançado do Sporting e melhor marcador da Liga Revelação 2019/2020.

O propósito deste artigo recai sobre a prioridade dos clubes portugueses em emprestar para o estrangeiro, quando está mais que comprovado, que os empréstimos de sucesso e cuja evolução do jogador é maior dentro de portas. Pensemos em cedências deste tipo, que tenham sido proveitosas para os jogadores e respetivos clubes. Vêm-me à memória alguns atletas de equipas ditas “grandes”. Éderson, Oblak, Francisco Geraldes, Podence, Galeno e o mais recente exemplo: João Palhinha.

As quatro épocas cedido a três clubes da Liga, tiveram nele um enorme crescimento e “maturação”, ao ponto de estar agora melhor preparado para assumir a titularidade no clube de Alvalade. E apenas não chegou à Seleção A, porque à sua frente estão Danilo, Rúben Neves e William Carvalho. Precisamente, o príncipe William de Alcochete, é o caso raro do empréstimo de sucesso fora de portas (ao Cercle Brugge, na época 12/13).

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Com isto, não quero censurar os moldes em que são feitas as transferências. São opções. Umas desportivas, outras financeiras. E apesar de Samú estar num contexto favorável à sua evolução, continuo a olhar para a Primeira Liga portuguesa, como sendo mais competitiva e familiar para os jovens, do que a Segunda Liga Espanhola. Até porque “lá fora”, é muito mais fácil cair no abismo desportivo. Daí que seja “perigoso”.

Por fim, apresento as caraterísticas do jogador que me trouxe até aqui. Samuel, que já foi elogiado pelo “ídolo” Danilo Pereira, é um “6” moderno com traços do passado. Parece que, em termos de jogo, aprendeu muito com Palhinha e Claudemir (ambos ex-SC Braga). O internacional sub-20 por Portugal, é relativamente alto (1,83m) e também pode atuar como “8”. Marca a diferença pela agressividade e sentido tático, como foi bem notório na última jornada do campeonato anterior perante o FC Porto, do que propriamente pela qualidade técnica. Não me interpretem mal. O seu passe longo também é um fator chave, mas não é nenhum Rúben Neves. Um empréstimo a equipas como FC Famalicão, Boavista FC ou Moreirense FC, permitir-lhe-iam melhorar o seu futebol, bem como lhe aumentavam o reconhecimento nacional. Que volte para ficar.

 

Fonte das imagens: UD Almería

Redigido por: Filipe Carvalho