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O Catenaccio

O Catenaccio

Nesta rubrica iremos semanalmente abordar temas que nos inquietam, tentando entender as questões envolventes de cada problemática e ir em busca de uma solução viável.

Numa altura em que todo o mundo está a ser afetado por uma pandemia, o panorama do futebol não escapa às dificuldades, sejam elas mais ou menos evidentes. Apesar da necessidade de contenção nos investimentos (durante o atual mercado), uma prática que se tem tornado costume nos últimos mercados de transferências é a da aposta em jovens jogadores, por valores que muitas vezes são questionados.

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A mais recente exportação do futebol português tem o nome de Fábio Silva, que passará a vestir a camisola do Wolverhampton Wanderers FC, a equipa mais portuguesa de Inglaterra. O ex-jogador do FC Porto foi transferido a troco de 40 milhões de euros, protagonizando mais uma transferência de um jovem jogador envolvendo valores avultados.

Esta transação vem enquadrar-se num padrão que tem sido definido nos últimos mercados de transferências: as equipas estão a começar a investir os seus orçamentos em jovens que, na maioria das vezes, ainda não deram provas claras ao mais alto nível. Assim, os projetos a longo prazo começam a ter preferência, em detrimento de compras e apostas para o imediato.

Analisando o caso concreto do jovem avançado português, o seu potencial é inegável: elemento chave na vitória dos sub-19 portistas na edição de 2018/19 da UEFA Youth League, rapidamente ascendeu ao plantel principal dos “dragões”, estreando-se em jogos oficiais com apenas 17 anos de idade. Contudo, os números de Fábio Silva são claramente de um jogador que ainda está em desenvolvimento, tendo apontado apenas três golos em 21 jogos pelo FC Porto em 2019/20 e somado poucos minutos na maioria das partidas em que atuou.

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Tal como este negócio, muitos outros na mesma linha se têm sucedido por todo o mundo do futebol. O caso mais conhecido e comentado dos últimos anos foi o da transferência de João Félix para o Atlético de Madrid, por 126 milhões de euros. É certo que a primeira época do jovem viseense no plantel principal do SL Benfica foi bastante positiva e com ótimos números (apontou 20 golos em 43 jogos), mas os valores envolvidos nesta transação e a tenra idade do jogador deixam sempre a expectativa em relação à justificação de tais valores dentro de campo, fator que pode ter pesado nesta primeira época de Félix em Madrid.

A Liga Portuguesa tem sido uma verdadeira incubadora de talentos que, posteriormente, são vendidos por valores bastante avultados. Nos últimos anos, mais do que trabalhar talento jovem estrangeiro, a aposta passou a beneficiar os atletas nacionais, o que tem aumentado a qualidade do nosso futebol e também das opções para a Seleção Nacional. No entanto, a saída deste talento de forma tão precoce acaba por prejudicar os clubes formadores, numa perspetiva financeira. A necessidade de vender continua bastante presente em todos os clubes portugueses, o que obriga a exportar talento assim que apareça uma proposta mais avultada. Neste momento, os clubes que formam raramente beneficiam do talento produzido “em casa”.

 

Fonte das imagens: Wolverhampton Wanderers FC e FC Porto

Redigido por: Alexandre Candeias