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O Catenaccio

O Catenaccio

Em quase 125 anos de história, nunca o Flamengo teve tanta exposição perante o público português como durante a última época desportiva europeia. A equipa técnica que comandou o clube entre junho de 2019 e julho de 2020, com Jorge Jesus como líder, aproximou o público luso do futebol brasileiro, em geral, e do emblema rubro-negro, em particular.

Atualmente, numa época afetada pela mudança de treinador, o CR Flamengo está em “queda livre”. Desde a chegada do espanhol Domènec Torrent, a equipa tem apresentado resultados bastante oscilantes e, mais preocupante ainda, a qualidade das exibições não chega nem perto da protagonizada sob o comando de Jorge Jesus.

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Começando pela marca portuguesa no clube do Rio de Janeiro, esta ficou bem vincada: em 13 meses, foram conquistados cinco dos sete títulos possíveis, com destaque para a vitória na Copa Libertadores e para a ida à final do Campeonato do Mundo de Clubes. Apesar de serem os títulos e os resultados que ficam para a história, todos reconhecem o grande nível de futebol que a equipa do Flamengo apresentava sob as ordens de Jesus, muito à frente dos concorrentes brasileiros e com muito poucos rivais à altura na América do Sul.

Para além do que é trabalhado dentro de campo, o sucesso de qualquer equipa está também dependente das boas relações pessoais entre os diversos membros do plantel fora do terreno de jogo. A excelente relação que o plantel tinha com Jorge Jesus era do conhecimento público, facto que conferia aos jogadores uma confiança total no seu treinador e nas ideias do mesmo, estando dispostos a dar tudo em campo por ele. Ora, com Torrent tal ainda não se verifica, e não me parece que esteja para se verificar em breve. Algumas das figuras da equipa têm sido preteridas pelo técnico espanhol nos últimos jogos, sendo Gabriel Barbosa o ausente mais evidente. Utilizando o exemplo de “Gabigol”, a insatisfação da maior figura da equipa durante a “era Jorge Jesus” não é benéfica para o grupo de trabalho, uma vez que o rendimento do jogador terá tendência para baixar e, tal como ele, outros membros importantes do plantel podem sentir que perderam o seu estatuto e instaurar-se um clima de insatisfação geral.

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Olhando agora para o que se tem passado dentro de campo, as exibições da equipa têm sido afetadas pelo maior jogo posicional que o atual técnico pretende, sobretudo no último terço do terreno. Se com Jorge Jesus os quatro jogadores mais avançados gozavam de uma grande liberdade posicional, que ajudava a baralhar as defesas adversárias e conferia maior criatividade a cada elemento, com Domènec Torrent a ideia passa por um maior cumprimento do que está no papel, sem grandes trocas de posições. Esta falta de liberdade prejudica as exibições de jogadores como Éverton Ribeiro ou Giorgian De Arrascaeta, mas acima de tudo as de Bruno Henrique (atualmente lesionado), que tantas vezes trocava de posição com “Gabigol” e surgia em zona de finalização.

Com a recente derrota por 5-0 diante do Independiente del Valle, para a Libertadores, o Flamengo bateu num fundo que nunca havia conhecido com Jorge Jesus. É certo que toda a mudança (ainda para mais por ter sido inesperada) precisa de tempo para eventualmente resultar, mas não me parece que, dado o atual plantel dos rubro-negros, Domènec Torrent seja o homem certo para aquele lugar. Afinal, estamos a falar de um clube que é referido como sendo uma “seleção” no campeonato brasileiro, logo não é cargo para qualquer um.

 

Fonte das imagens: CR Flamengo

Redigido por: Alexandre Candeias

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