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O Catenaccio

O Catenaccio

27 Nov, 2020

(A)D10S, Diego

Passados dois dias da morte de Diego Maradona, continuam a faltar-me as palavras. Nunca o vi jogar ao vivo ou em direto, mas assim que comecei a sentir o “bichinho” do futebol, foi das primeiras referências que tive. O precoce desaparecimento do “astro” argentino deixou o mundo perplexo, mas sobretudo deixa um vazio que não pode ser preenchido.

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Apesar de tudo o que pode ser dito e escrito sobre a sua vida fora de campo, o foco deste artigo vai estar exclusivamente no que fez dentro das quatro linhas. E como foi brilhante no campo! De cada vez que ouço a expressão “ter cola nas botas”, é de Maradona que me lembro de imediato: o seu controlo de bola magnífico deixava todos os espectadores presos no seu jogo, como se driblasse adversários por diversão (e assim era mesmo).

Estreado com 15 anos na equipa principal do Argentinos Juniors, aí passou cinco anos e mostrou-se à Argentina, que de pronto viria a conquistar. Depois de 166 jogos e 116 golos, o ainda jovem Diego elevou o seu patamar de grandeza a um ponto que já ultrapassava o do próprio clube, pelo que a mudança para o Boca Juniors foi apenas circunstancial, uma vez que a vinda para a Europa, para Barcelona, já estava acertada. Ainda assim, na primeira passagem pelo clube de “La Bombonera” sagrou-se campeão argentino, jogando 40 partidas e apontando 28 golos.

As duas épocas em Barcelona foram afetadas por lesões (uma hepatite na primeira, uma perna partida na segunda), contudo Maradona deixou a sua marca, apontando 38 golos em 59 jogos e conquistando três troféus internos, mas nunca a Liga Espanhola. Saiu para Nápoles, onde a lenda começou. Chegado em 1984, foi nas épocas 1986/97 e 1987/88 que deu ao clube napolitano os únicos dois títulos de campeão italiano do seu palmarés.

Porém, antes da glória em Nápoles, veio o torneio internacional que ficará para sempre na história: o Mundial de 1986. Quem viu aquele torneio diz que foi o momento em que todo o mundo do futebol se apercebeu que Diego Maradona era um dos melhores da história. Embora o próprio dissesse que não, a verdade é que “El Pibe” levou o seu país “às costas” até ao título de campeão mundial, tendo mesmo uma “ajuda Divina” no jogo dos quartos de final, frente à Inglaterra.

Rosto (FIFA).jpg

Como o próprio Maradona afirmou depois do encontro, o primeiro golo foi marcado “metade com a minha mão e metade com a mão de Deus”. O toque subtil, por ter enganado todos, mas forte, que fez mesmo parecer que tinha rematado a bola com a cabeça, colocou a bola no fundo das redes inglesas, e assim foi criado um momento que perdurará para sempre na história do futebol. Nesse jogo, Diego marcou ainda um outro golo histórico, ultrapassando seis adversário enquanto controlava o esférico sempre com o pé esquerdo e finalizando a jogada para dar a vitória à Argentina. A seleção das “pampas” venceu o Mundial de 1986 e Maradona tornou-se um ídolo nacional, sendo até hoje, para muitos, o melhor jogador que o país latino já viu nascer.

A nível de clubes, depois de sair de Nápoles em 1991, jogou ainda mais uma época na Europa, em Sevilha, antes de regressar à sua querida Argentina, para ingressar no Newell’s Old Boys, primeiro, e no Boca Juniors, onde terminaria a carreira em 1998. O amor que Diego Maradona recebeu dos argentinos foi excecional, sendo visto por todos, sem clubismos, como o maior ídolo nacional.

Diego era sinónimo de futebol no seu estado puro, o chamado “futebol de rua” que “El Pibe” transportou para os relvados de todo o mundo e que cativou todos os que amam o “desporto Rei”. Mesmo depois de ter deixado os relvados, foram inúmeros os momentos em que as suas emoções futebolísticas falaram bem alto. Mas Maradona era isso mesmo: um génio muitas vezes incompreendido e que amava o futebol tanto quanto sabia jogá-lo. Foi, para mim, o melhor de sempre com a bola nos pés.

 

Fonte das imagens: FIFA

Redigido por: Alexandre Candeias