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O Catenaccio

O Catenaccio

A primeira experiência de Tiago Mendes como treinador principal teve um final precoce. Com apenas três jogos ao leme do Vitória SC, o antigo médio português abandona o projeto vimaranense por, ao que tudo indica, desacordo com a política de transferências levada a cabo pela direção da SAD.

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Tiago Mendes foi o escolhido para suceder a Ivo Vieira no começo desta nova temporada, por ser teoricamente a pessoa indicada para cumprir os objetivos desportivos da SAD e coincidir nos ideais do projeto. Ironicamente, a causa para o abandono de Tiago terá sido o facto de pretender jogadores experientes para ocupar certas zonas do terreno, algo a que a direção não correspondeu.

Tomando essa suposta causa como verdadeira, o ponto de vista do técnico é compreensível. O plantel do Vitória está recheado de jogadores com bastante qualidade individual, mas ainda jovens. A média de idades ronda os 24 anos e a falta de experiência pode levar a cometer certos erros, mesmo que aparentem ser meros pormenores, mas que podem decidir jogos. Com a saída de alguns dos jogadores mais experientes do plantel, como Florent Hanin, Pedro Henrique e Douglas, essa sabedoria do jogo que eles carregavam perdeu-se em parte, maioritariamente no setor defensivo.

Relativamente às posições no terreno de jogo que deveriam ser reforçadas, considero que de facto existiram certas incongruências na política de contratações. Um caso exemplificativo é a contratação de Miguel Luís ao Sporting CP. É certo que o jovem médio luso tem um enorme potencial, podendo impor-se brevemente no meio campo dos vitorianos, mas a posição no terreno que ocupa não tem falta de soluções, havendo jogadores como André André, Poha, André Almeida ou Pepelu, por exemplo.

A meu ver, o que falta aos conquistadores são desequilibradores, jogadores capazes de provocar dores de cabeça aos adversários, e também “homens de área” para aumentar o poder atacante. Ricardo Quaresma e Marcus Edwards são dois extremos com a capacidade de resolver jogos e criar jogadas individuais quando a equipa mais precisa, ou como se diz na gíria, são capazes de “tirar coelhos da cartola”. Mas olhando para o banco, é difícil manter a qualidade nesta posição quando é necessário retirar um destes jogadores, seja por razões de lesão, fadiga, falta de rendimento ou até decisões de cariz tático.

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Sobre Quaresma, é necessário constatar que, apesar da sua qualidade inegável e de ter no seu currículo uma carreira longa a jogar ao mais alto nível, aos 37 anos já se encontra numa fase descendente da carreira, em que o cansaço começa a ser mais evidente. Em relação ao ponta de lança, Bruno Duarte é uma opção bastante válida, mas a sua irregularidade exibicional provoca a necessidade de haver outro “9” para aumentar a competição interna por um lugar no onze inicial.

A direção da SAD do Vitória SC emitiu um comunicado referente à saída de Tiago Mendes, dizendo que é uma “manifestação de insegurança” por parte do jovem treinador, e acrescenta que sempre teve total autonomia para o exercício da sua liderança, indo contra a suposta causa de demissão de Tiago. No final de contas, é certo que para o antigo internacional português, a sua primeira aventura no banco se suplentes correu da pior maneira, assumindo funções por cerca de um mês e três semanas. Na Liga NOS realizou três partidas, consumando uma derrota, um empate e despediu-se com uma vitória.

 

Fonte das imagens: Vitória SC

Redigido por: Diogo Mimoso Ferreira