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O Catenaccio

O Catenaccio

Nesta rubrica iremos abordar semanalmente temas que nos inquietam, tentando entender as questões envolventes de cada problemática e ir em busca de uma solução viável.

Este sábado disputaram-se as finais das Taças de Portugal e Inglaterra, sendo possível constatar um elemento comum entre as duas partidas que altera a festividade habitual presente nesta competição: a falta de adeptos.

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Em ambas as competições existe sempre uma atmosfera especial envolvente que faz vibrar toda a massa associativa, desde os clubes profissionais, que se focam apenas no desempenho desportivo, até às equipas amadoras, que vivem para estes momentos de possível glória e orgulho para todos os seus apoiantes. E essa é a magia da Taça, o facto de englobar também os clubes das divisões inferiores e cedendo-lhes uma hipótese de defrontar os maiores emblemas nacionais e alcançar algo de importância superior à que estão habituados. E quem cria e promove o ambiente festivo são os adeptos, a peça-chave do espetáculo futebolístico que neste momento encontra-se ausente dos estádios.

Devido a esse fator, existe a sensação de que a competição perdeu algum do seu charme, e até importância. Por essa razão, resta-nos focar apenas no que se passou dentro das quatro linhas, e é aqui que surgem as diferenças entre o futebol português e a beleza do “desporto rei” praticado em Terras de Sua Majestade”.

No encontro que opôs Chelsea FC e Arsenal FC, as duas equipas londrinas concretizaram um jogo bem disputado, agradável para os espetadores e digno de uma final. Houve de tudo o que uma partida desta natureza necessitava: intensidade, rigor tático, pormenores técnicos que nos fazem ficar deliciados, cada lance disputado e pensado como se fosse o último, e que culminaram em três golos no total dos 90 minutos. E no fim, a vitória acabou por sorrir aos “Gunners”, que tiveram a seu favor a expulsão de Kovacic, que abalou os “Blues”.

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Quando analisamos a final da Taça de Portugal, olhamos para uma realidade antagónica em relação ao futebol britânico. Foi uma partida com poucas ocasiões, muito disputada a meio campo, mas com superioridade por parte do FC Porto. Com menos um elemento em campo, os “Dragões” conseguiram vencer a partida por duas bolas a uma, aproveitando a fragilidade “encarnada” nas bolas paradas. A partir do primeiro golo de Chancel Mbemba, a equipa do SL Benfica desmoralizou e praticamente deitou a toalha ao chão.

Ao nível da qualidade futebolística, ficou claro que o futebol lusitano encontra-se uns “furos” abaixo do que se pratica na Premier League. E se tivermos em conta que Benfica e Porto são as equipas mais poderosas em Portugal, com os plantéis mais caros e com alto nível de qualidade individual comparativamente com os restantes clubes nacionais, teoricamente deveriam praticar um futebol atrativo e competitivo, mas infelizmente podemos constatar que tal facto não se confirma.

 A intensidade inicial nas disputas de bola entre as duas equipas rapidamente se tornou uma batalha campal, e exemplo disso mesmo foi a expulsão de Luiz Díaz, depois de uma entrada duríssima sobre André Almeida, que lhe valeu o segundo cartão amarelo ainda no decorrer do primeiro tempo. Para aumentar o ambienta de ódio e agressividade do momento, foi possível ouvir através da transmissão televisiva as palavras ofensivas proferidas por jogadores e staff, principalmente por parte do atual campeão nacional, dirigidas ao árbitro da partida.

Para quem viu ambas as partidas de ontem, podemos constatar o óbvio. O nosso futebol encontra-se num estado decadente, quer a nível exibicional e desportivo, assente em polémicas, interessando apenas os resultados, e não em deleitar quem visualiza as partidas. Continuando desta forma, o fosso entre os melhores campeonatos do mundo, como o inglês, e o nosso campeonato apenas vai aumentar, e quem perde são os adeptos, os mesmo que sustentam as entidades desportivas.

 

Fontes das imagens: FC Porto; Arsenal FC

Redigido por: Diogo Mimoso Ferreira

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