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O Catenaccio

O Catenaccio

A “técnica da tática” é o espaço onde damos o nosso parecer e analisamos conceitos táticos específicos que nos marcaram. Iremos mostrar como toda a tática, tem técnica.

Para dar o verdadeiro pontapé de saída no nosso blog, nada melhor que explorar a tática que nos apelida, o catenaccio. Como não experienciámos o catenaccio original, sistema tático que levou o futebol italiano ao sucesso internacional, falaremos da revolução de Antonio Conte.

Fonte: Federação italiana de Futebol

No sistema tático com três centrais, foi tricampeão italiano na Juventus. Um trio defensivo nos experientes Chiellini, Barzagli e Bonucci, que seguravam a defesa, permitindo aos laterais Lichtsteiner e Asamoah darem profundidade ofensiva. No meio campo tinha opções de classe mundial, como o cerebral e mestre do passe André Pirlo, o guerreiro chileno Arturo Vidal e o jovem Paul Pogba em grande nível exibicional. No centro do ataque, estava o inevitável Carlos Tevez, isto na última época de Conte ao lema da “Vecchia signora”. Não esquecer que na baliza estava o lendário Buffon.

Depois de uma passagem pela seleção italiana, onde disputou o Euro 2016 em que foi eliminado nos quartos de final, mudou-se para o Chelsea. Foi um caso de “chegar, ver e vencer”. Logo na primeira época em Londres (2016/2017) conquistou a Premier League. E é nesta temporada que nos vamos focar.

Onze base do Chelsea:

Chelsea.png

 

Este Chelsea foi das equipas mais versáteis que vi jogar. Os três centrais, com apoio dos médios centro, permitem aos alas pisar terrenos mais ofensivos. Desta forma, existe solidez no corredor central. A construção de jogo a partir da defesa com os centrais bem abertos proporciona um leque variadíssimo de opções. É possível trocar a bola entre os defesas, atribuir a batuta a um dos médios, ou mesmo um dos defesas centrais, geralmente David Luiz devido à sua qualidade técnica, visão de jogo e facilidade em sair a jogar com bola controlada, a subir no terrenos para organizar o processo ofensivo.

 Do meio campo para a frente, a troca posicional era constante. Com Hazard, Willian ou Pedro, era possível a subida dos alas, permitindo aos extremos fazer movimentos interiores, ou mantendo-os nos corredores laterais, fazendo com que os alas aparecessem em terrenos interiores. Era também habitual um dos extremos (papel que Fabregas também desempenhou) recuar para junto dos médios, permitindo a, normalmente, Hazard, juntar-se a Diego Costa na frente.

Diego Costa, um avançado de área trabalhador, foi fulcral neste sistema tático. Tanto podia batalhar entre os defesas adversários, abrindo espaços para os colegas, como aparecer na área para finalizar. É um daqueles pontas de lança que deixa todo o seu esforço em campo, e que consegue sempre dar o seu contributo, quer acompanhado ou sozinho na frente. No campeonato inglês realizou 20 golos e oito assistências em 35 jogos.

O prémio do jogador da Premier League foi atribuído a N’Golo Kanté, algo que foi completamente merecido. Foi a âncora dos “Blues”, segurando o meio campo e estabilizando a equipa. Desempenhava uma função mais defensiva ao lado de Fabregas, assumindo o espanhol o papel de criativo, e tinha mais liberdade quando fazia parelha com Matic. Esta última dupla que referi era aposta mais frequente quando o Chelsea defrontava equipas com forte pendor ofensivo.

Esta reforma de Conte no catenaccio originou uma nova vaga de equipas a alinhar com três defesas centrais. Esta tática permite manter uma equipa estável, quer ofensivamente, quer defensivamente. Esta nova visão de Conte contraria a tendência do catenaccio original, desenhada para ser defensiva e de contra-ataque. Este Chelsea é o exemplo disso mesmo.

 

Fonte da imagem de Antonio Conte: Federação italiana de Futebol

Redigido por: Diogo Mimoso Ferreira

 

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